quarta-feira, 25 de abril de 2012

A Polícia apresenta suas armas, nós as carteiras e assim se forma uma dupla dinâmica.


Há umas semanas passei por uma situação que até então só tinha ouvido falar. Sou professor, aliás estou professor e não tenho carro, por isso costumo voltar para casa de carona com outros professores. Nesse dia, a alma que me ajudou a economizar a passagem foi o professor de Matemática. Saímos da escola às 21: 30 depois de mais um dia normal e eis que escutamos aquele famoso som da sirene que grita em alto e bom som: Vai dá merda! 
   Para começar bem a abordagem policial, nosso cinto de segurança travou e não conseguíamos sair do carro, deixando o clima aquém da devida tranqüilidade. Depois de uns segundos longos e uns olhares desconfiados da dupla conseguimos sair do carro, não sem antes escutar: “então quer dizer que se o carro pega fogo têm dois carbonizado?”. Daí pra lá ocorreu tudo dentro do script, documento do carro, carteira de motorista, minha identidade etc. Estava quase tudo ok, exceto o fato de o carro não estar vistoriado. Eis que presencio a seguinte conversa.

- O carro não está vistoriado, mas a vistoria já está agendada para o dia 25 de Novembro.
- O senhor imprimiu no site do DETRAN o cartão de confirmação da vistoria que contém a data do agendamento?
- Não.
-Então, infelizmente vamos ter que apreender seu carro OU O SENHOR VÊ AÍ O QUE PODE FAZER PELA GENTE...  

   Soaram as palavras mágicas. O professor em questão tirou 20 reais da carteira, deu ao policial que muito educado agradeceu, nos desejou boa noite e saiu em busca da próxima vitima.
    Fiquei com aquela situação na cabeça lembrando de todos os relatos indignadas que eu já ouvi, e que em mim doíam forte pelo fato de o meu pai ser policial militar. Mas será que a sociedade brasileira está preparada para ter uma policia correta?
    A corrupção, principalmente a policial, depende da cumplicidade. Para o professor de Matemática foi lucro “perder” aqueles 20 reais, já que o carro dele seria apreendido, ele teria que pagar uma multa e pagar por cada dia que o carro dele esteve estacionado lá, além de outros transtornos.
     O que chamam de “jeitinho brasileiro”, muitas vezes não passa de um ato desonestidade, que é visto como esperteza. Quantas vezes não pedimos para um guarda fazer vista grossa para o fato de estarmos sem cinto e caso o pedido seja aceito saímos pagando de “malandro bom de papo”? Quantas vezes ouvimos nossos amigos putos da vida porque um policial resolveu cumprir seu dever e multou o coitado ao invés de estar prendendo bandido? A fala do ex-delegado/deputado Hélio Luz ilustra bem o que eu estou dizendo.   


      A segurança do estado do Rio de Janeiro está em crise e não é de hoje. As greves dos militares cariocas, baianos, e muitos outros casos mais recentes, trouxeram bons motivos para pensarmos, tipo piadinha de Facebook, em como a policia é, como nós a vemos e como ela deveria ser. Após esse exercício de reflexão pense no que nós estamos fazendo para termos uma policia melhor. Não adianta sermos modernos e continuarmos querendo uma policia arcaica e corrupta.


2 comentários:

  1. Uma vez assisti esse filme na ECO (sim, mais uma vez na ECO) e fiquei fascinada. Desde então já tinha tentado achar esse trecho umas 15 vezes pelo google mais não lembrava o nome de nada.
    É sensacional.

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  2. É noticias de uma guerra particular, também vi na faculdade, mas antes já tinha visto em outro lugar, que não me lembro qual. Vira e mexe ele passa no Canal Brasil.(66)
    Se puder leia o livro Abusado o dono do morro santa marta, do Caco Barcelos. Foi feito no mesmo período que este documentário e tem um momento que eles se cruzam. Muito bom.

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