Esses dias me vi assistindo "Clube da luta", por volta da meia noite, de uma quinta feira. Filme repetido: nada melhor para embalar uma quinta à noite (onde, em função do Joel Santana, gostaria de "destruir algo bonito"). Seja pelo desprendimento, seja pelo advento do sono imediato filmes repetidos são sempre boas ocasiões numa noite frustrada. Maldito David Fincher! Assisti ao filme do ininterruptamente do início ao fim.
"clube da luta" é daqueles filmes que não se consegue parar de assistir, a "paradoxal" pluralidade de personagens nos conduz à atenção plena da obra. É daqueles filmes que dia nos identificamos com Tyler Durden, dia com o Narrador (naquela noite eu era o peitudo).
Gosto muito do trabalho do Fincher, o recente "A rede social" é um bom exemplo do seu trabalho, deliciosamente perturbador e provocante, entretanto "Clube da luta" beira a perfeição. Sacal, realista, explosivo na medida certa, e ao passo que o revia - numa frustrante quinta à noite - e aguardava cenas prediletas e diálogos clássicos do filme percebia que este se tratava de uma obra sem precedentes, única. Até que um nome me veio à cabeça... "O grande dragão branco".
Minha posição não é de comparar os filmes, mas sim exaltar também uma obra-prima do cinema. Isso porque ele ("O grande dragão branco") já se faz emblemático. Para começar, pouco sei de seu diretor - não importa, nele está Jean Claude Van Damme, isso basta! Não posso também defini-lo por seu tempo, ele se insere nos anos 80, que corresponde a uma dimensão atemporal da história do cinema. A década é tudo e não é nada. A pureza do filme é linda, nada mais belo que a história de um americano criado por japoneses. Ao mesmo tempo é político. É romance. É "full contact". É sangrento. Categorias estas reunidas num só filme seria possível apenas nas mãos de diretores canônicos como Eisenstein, Scola, Kubrick, Forman... mas não, há também tal genealidade aqui (repito, sequer sei o nome do diretor, sei que há Jean Claude Van Damme).
Conceber "Clube da luta" sem conhecer "O grande dragão branco" é um crime ao cinema. Cinema sem "O grande dragão branco" é um crime ao cinema. "O grande dragão branco" está para o "Clube da luta" assim como "Apocalypse now" está para "Platoon", assim como os "Sete samurais" está para "Sete homens e um destino", etc, etc, etc. Confesso que nutro por esta obra-prima uma certa admiração, explicada talvez por uma memória afetiva, geração, talvez, mas sei que esse filme me oferece muito mais. Ele é cultural, marginal, geopolítico, um encontro do ocidente com o oriente. Ele é arte!
O que falar então de Jean Claude Van Damme? O mestre se insere dentro desta criação divina talvez mais magistralmente que Andie Macdowell em "Laranja mecânica". Ele pulsa o filme, dialoga com sua história, e nos oferece uma das mais geniais interpretações do cinema. Van Damme nos pergunta, e por nossa vez, respondemos; dialoga conosco. Uma vez cego, todo aquele que o assiste, poeticamente se cega; sua paixão nos comove; sua perícia em artes marciais nos impressiona; sua dor é sentida; e, principalmente, quando obrigado, todos temos plena certeza, que de fato ele quebrará "o primeiro de baixo".
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ResponderExcluirTá dito! Mas essa obra não seria a mesma sem a atuação magistral de Bolo yeung (Chong Li). Ele quebrou a lei da ação/reação ao afirmar que "tijolo não revida."
ResponderExcluirBoa sorte para o blog!
ResponderExcluirLendo esse prólogo só me confirma o que eu já imaginava ao dizer 'sim' para a proposta do blog, vou ter que suar pra acompanhar esse time!
Vcs sabiam que a versão final do Clube da Luta não é a do diretor? Pois é... Parece que depois de muita pressão comercial e "palpites de estrela" do Edward Norton, que não foram poucos, o filme foi para os cinemas mesmo contra a vontade do Fincher... (Pelo menos foi o que ouvi numa aula na ECO).
ResponderExcluirBoa sorte!
Isabela Figueiredo
Sério??? Nunca tinha ouvido falar nisso. Mas, esse final é bem legal. Fiquei curioso p saber como seria o final do diretor.
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